Entrevista Miguel Manso

06/05/2012 09:46

 

Engenheiro Miguel Manso, pré-candidato 

pelo Partido Pátria Livre a prefeio de São Paulo

“São Paulo precisa de um prefeito que encare os problemas da cidade”, afirma Miguel em entrevista concedida ao jornal Hora do Povo

HP – O seu partido, o Partido Pátria Livre (PPL), acaba de nascer. Você não acha cedo para candidatar-se à Prefeitura da maior cidade da América Latina?

 

Miguel – O PPL realmente foi registrado há pouco tempo, embora os nossos quadros, a nossa formação - a nossa história - tem uma herança muito grande, um patrimônio de ideias, conhecimento e experiência política que poucos partidos têm na História do Brasil. Estamos preparados para apresentar um projeto de Nação e estamos trabalhando nos programas para a cidade de São Paulo. Em geral, as eleições têm oferecido pouca alternativa para a discussão qualificada. Nós estamos em condições de apresentar ideias e fazer o debate em patamar mais elevado. O PPL está maduro para vencer as eleições e governar São Paulo.

 

HP – Mas, e o engenheiro Miguel Manso? Está preparado? Qual a sua trajetória política e sua experiência administrativa?

 

Miguel – Esta é a minha primeira disputa eleitoral, mas a minha vida política e partidária começou em 1975. Fui líder estudantil, participei das lutas pela redemocratização do país e me formei engenheiro em 1978. Trabalhei na Unicamp e no centro de pesquisas da Telebrás. Em 1982, com a vitória do governador Montoro, fui convidado para a equipe da Secretaria de Governo, na qual permaneci durante a gestão do governador Quércia e boa parte da gestão do governador Fleury. Trabalhei na CESP e fiquei um bom tempo acompanhando o secretário João Leiva, que era secretário de Obras. Trabalhei também, por quase seis anos, na Câmara Municipal de São Paulo. Atuei um tempo na área privada como engenheiro. Em 2008, coordenei a campanha da prefeita Maria Antonieta de Brito, do Guarujá. Vencemos uma eleição muito disputada. Assessorei a prefeita e isso me deu uma experiência administrativa muito boa, porque Guarujá é uma cidade com 310 mil habitantes, no verão chega a 2 milhões, com 115 favelas, uma região portuária, uma cidade com problemas sociais muito grandes. Estou preparado para colocar essa experiência de vida a serviço do povo de São Paulo.

 

HP – A sua candidatura é de oposição à atual administração de São Paulo? O seu partido terá condições de governar São Paulo sozinho?

 

Miguel – A minha candidatura é uma candidatura de mudança. Há bastante tempo os problemas de São Paulo vêm se agravando em várias áreas - saúde, educação, trânsito, transporte, habitação popular, saneamento. Diversas administrações trataram isso de forma absolutamente cosmética, como se São Paulo fosse apenas como um degrau, uma base para líderes políticos apresentarem projetos pessoais. Nós precisamos de um prefeito que se envolva e encare os problemas de São Paulo, que mobilize essa cidade maravilhosa. Eu nasci aqui. Devo a São Paulo o que sou e vou enfrentar seus problemas. O nosso partido vai atrair todas as forças interessadas na mudança e na melhoria da vida de nosso povo. No Guarujá, ganhamos sozinhos as eleições – mas hoje já são dez os partidos na administração.

HP – Fala-se num déficit de 800 mil moradias na cidade de São Paulo. O governo federal anuncia um programa de 2 milhões de moradias populares no Brasil até 2014. Por que são construídas tão poucas casas populares em São Paulo?

 

Miguel – São poucas as construções de casas populares porque a atual administração dirigiu o uso e a ocupação do solo, a política urbana, para os setores de classe média alta. Foi desmontado o programa de habitação popular. Toda a atuação foi no sentido de viabilizar projetos de construção de alto luxo, que têm a ver com os vínculos da atual administração com os setores financeiros interessados nesse tipo de ativo. 800 mil famílias cadastradas nos programas habitacionais e, nos oito anos da gestão Serra/Kassab, foram construídas 2 ou 3 mil casas populares. Vamos inverter as prioridades. Em quatro anos podemos resolver pelo menos metade desse déficit habitacional.

 

HP – Na quinta-feira, levei 1:40 h para ir do Cambuci ao Butantã. Esse é um problema que inferniza a vida do paulistano. Quais são as soluções?

 

Miguel – O trânsito da cidade está se transformando numa grande calamidade. São 180, 200 km de engarrafamento. A falta de mobilidade também arrebenta com a possibilidade da cidade modernizar sua base industrial, sua base tecnológica, de atrair empresas, renda e empregos. Nossa ideia básica são os grandes corredores viários como linhas exclusivas. Vamos fortalecer e colocar a SPTrans no comando efetivo do sistema.  Nos corredores trafegarão linhas exclusivas de ônibus de grande porte. Esses corredores estarão interligados com os ônibus dos bairros. O usuário poderá ter conhecimento da malha viária. Vamos tornar o sistema eficiente, bom e barato - e recuperar o bilhete único, que a atual administração cortou o tempo de validade. Por fim, vamos usar o peso político de São Paulo para exigir dos governos federal e estadual o aumento dos investimentos no Metrô.

 

HP - Os serviços públicos em São Paulo são insuficientes. Por exemplo, 147 mil crianças estão fora das creches. A ampliação desses serviços esbarra na Lei de Responsabilidade Fiscal. Como o Sr. pretende enfrentar esse problema?

 

Miguel – Os municípios estão asfixiados, impedidos de planejar a cidade para o futuro. Não se pode trabalhar a questão da dívida pública, porque estamos proibidos de contrair novos empréstimos. Só podemos trabalhar com o que se arrecada e o que é transferido pela União. Quando se reduz a capacidade orçamentária do município e ao mesmo tempo se exige que ele preste mais serviços - mas se impede que ele contrate – se está asfixiando o serviço público. No entanto, mesmo em São Paulo, há uma margem de manobra. A atual administração abusou da contratação de Oscips, Organizações para gestão de serviços e mão de obra, e as contratações diretas estão bem abaixo do limite. Esse modelo privado de gestão é oneroso para a cidade, para o sistema de saúde, e não está se mostrando eficiente. Vamos expandir a contratação direta até o limite da legislação e trabalhar com os demais prefeitos para rever as taxas de juros, que estão altíssimas - São Paulo está rolando uma dívida de R$ 48 bilhões.

 

HP – Todos os anos enfrentamos graves enchentes na cidade. Quais são as soluções que o Sr. vai apresentar para esse problema?
 

Miguel – É necessário organizar o sistema de drenagem, que, em várias regiões, praticamente não existe. A Sabesp, privatizada por dentro, não tem investido o suficiente. A falta de saneamento acaba sobrecarregando o sistema de águas pluviais e os leitos dos rios. Temos de organizar planos de macro e microdrenagem. Existem verbas federais disponíveis para isso: o PAC prevê esse tipo de obra. Mas a atual administração não pleiteou esses recursos. É uma administração preguiçosa, ineficiente e distante dos problemas do povo. Só como exemplo, a administração do Guarujá, com orçamento de R$ 850 a 900 milhões, obteve do governo federal R$ 380 milhões. Um terço foi para obras de drenagem. Trabalhando com obras de dois anos, pelo menos, 20% do orçamento do Guarujá foi obtido de programas da União. Em São Paulo, com orçamento de quase R$ 40 bilhões, esses 20% representariam cerca de R$ 8 bilhões. Mas o que se tem obtido está na faixa de 5,5% do orçamento.

 

HP – Quais são os principais problemas na educação que você vê em São Paulo?

 

Miguel – Eu vejo um abandono total. Os diretores das escolas foram transformados em zeladores. Foram desviados da função de organizar o ensino. Não há investimento na modernização das escolas. Os professores tiveram sua autoridade enfraquecida. Os alunos não aprendem, mas passam de ano. Não há estímulo para que os alunos frequentem as escolas, que não têm atrativos para eles. Vamos mudar radicalmente essa situação.

 

HP – Há quem defenda que a cidade de São Paulo deve deixar de ser uma cidade industrial para transformar-se numa cidade de serviços. Qual a sua opinião?

 

Miguel – Isso é uma boçalidade, se você me permite o termo. A única coisa que essa ideia absurda poderia criar é uma cidade-dormitório. A preocupação de cidades como Pequim, Xangai, ou as da Índia, está exatamente na modernização para atrair indústrias de tecnologia e de alto valor agregado. Aqui, o organograma da Prefeitura de São Paulo não tem Secretaria da Indústria ou de Ciência e Tecnologia. Onde está a política de aproveitar as universidades de São Paulo - os doutores, a logística e a mão de obra especializada - para atrair empresas?

 

HP- Para terminar, Miguel, sendo eleito, quais serão as suas prioridades?

 

Miguel – A minha prioridade será resolver os problemas da Saúde, da Educação, do Transporte, da Habitação, do Saneamento e de drenagem na cidade de São Paulo.

 
 
Fonte Hora do Povo
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