Coordenador de ocupação do MST na Usina Cambaíba é assassinado no Rio de Janeiro

29/01/2013 17:45

 

Coordenador de ocupação do MST na Usina Cambaíba é assassinado no Rio de Janeiro

“É questão de honra Cambahyba virar assentamento”, dizia Cícero Guedes (foto), assassinado na madrugada desta sexta-feira (25), no município de Campos dos Goytacazes 

Vivian Virissimo

O trabalhador rural assentado Cícero Guedes não conseguia conter as lágrimas quando recordava da mística que homenageou militantes incinerados nos fornos da Usina Cambahyba pela ditadura civil-militar brasileira nos anos 1970 e 1980. Era angustiante para ele imaginar que naquele lugar pelo menos dez militantes torturados e mortos no DOI e na Casa da Morte haviam sido incinerados por lutarem por justiça social. Décadas depois, no mesmo lugar, a liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Cícero Guedes, tomba pelo sonho de ampliar a reforma agrária no país.

“A mística foi muito forte, ninguém merece ser queimado. Muita gente faz atrocidade neste mundo e não é queimado. É questão de honra para o movimento esse latifúndio virar assentamento. A gente se emociona porque somos seres humanos e sabemos e sentimos na pele o companheiro que luta por justiça social”, disse, à época, Cícero, sobre o ato promovido em agosto do ano passado pelo MST e pela Articulação Estadual Memória, Verdade e Justiça na usina.

Coordenador do acampamento Luiz Maranhão, localizado no parque industrial da Usina Cambahyba, Cícero, de 49 anos, foi assassinado com mais de dez tiros na cabeça por pistoleiros na madrugada desta sexta-feira (25), em Campos dos Goytacazes. Ele participou de uma reunião na noite anterior no acampamento e foi baleado em uma emboscada quando retornava de bicicleta para sua casa no assentamento Zumbi dos Palmares. Cícero fazia parte da Coordenação Estadual do MST no Rio de Janeiro.

O velório deverá acontecer amanhã na casa da família no assentamento Zumbi dos Palmares a partir das 9h, após liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML). E o enterro, no Cemitério Campo da Paz em Campos dos Goytacazes, entre 13h e 14h.

Antes do enterro, o MST fará um ato político de denúncia da violência do latifúndio na região. Já confirmaram presença o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Carlos Guedes, o senador Lindbergh Farias (PT), os deputados estaduais Robson Leite (PT) e Marcelo Freixo (Psol), o delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), José Otávio, o superintendente do Incra, Gustavo Noronha e diversas entidades de direitos humanos.

“Pedimos e reivindicamos que investiguem e punam os responsáveis, que garantam a segurança para os familiares de Cícero que moram na região, além da imediata desapropriação da Cambahyba. Este é mais um crime do latifúndio de Campos dos Goytacazes, que envolve diretamente as questões da Cambahyba”, declarou Marina dos Santos, da coordenação estadual do MST.

“A gente está considerando um crime semelhante ao que aconteceu com Sebastião Lan que foi assassinado pelo latifúndio em Campos Novos em Cabo Frio da década de 1980. Ele era presidente do sindicato dos trabalhadores rurais. Da mesma forma que Cícero, Sebastião era referência para o movimento e fazia o trabalho de organização dos trabalhadores”, acrescentou Marina.

A Polícia Civil emitiu um comunicado afirmando que está empenhada na investigação da morte da liderança. O órgão também informou que medidas cautelares estão sendo adotadas para esclarecer a autoria e a motivação do crime.

Fonte Brasil de Fato

 

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