CGTB: governo tem que investir mais e cortar menos para o país crescer

17/01/2013 20:57

 

CGTB: governo tem que investir mais e cortar menos para o país crescer 

O presidente da Central, Bira, condenou o repasse de R$ 12,4 bilhões aos bancos, anunciado no dia 4

O presidente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), criticou a política econômica do governo de repassar bilhões de reais aos bancos, para pagamento do superávit primário. No início de janeiro, o Tesouro Nacional informou que foram resgatados R$ 12,4 bilhões do Fundo Soberano do Brasil (FSB) para ser entregue aos bancos.

Para Bira, “isso é um absurdo. Foram desviados 80% do total dos recursos do Fundo para engordar o cofre dos bancos. Quando o Fundo foi criado em 2008, o ministro Guido Mantega disse que sua principal função seria prover recursos em momento de turbulência econômica. Que turbulência vive o setor financeiro, exatamente o setor que mais aufere lucro no Brasil?”, indagou o dirigente.

“Na verdade, o real problema econômico que vive o Brasil, o baixo crescimento, se dá em função da política da equipe econômica de cortar os investimentos públicos e favorecer os bancos e os grandes conglomerados, externos e internos. Se de um lado diminuiu o repasse aos bancos com a diminuição dos juros, aumentou de outro com o aumento das amortizações da dívida. Além disso, o BNDES continua dando preferência às múltis em seus financiamentos, como a recente aprovação de R$ 2,4 bilhões para a Fiat”, acrescentou.

E os resultados dessa política estão evidentes. O IBGE publicou recentemente um estudo mostrando que o emprego industrial diminuiu -1,4% em todo o país, na comparação entre o período de novembro a dezembro de 2011 e novembro a dezembro de 2012. Só em São Paulo, onde encontra-se a maior parte da indústria de transformação do país, diminuiu -2,8%, a maior queda.

“Esse desperdício de recursos públicos é um excrescência. São recursos que poderiam ser utilizados em investimentos, pois só dessa forma poderemos retomar o ‘pibão’ de 2010. Não tem outro caminho. A presidente Dilma fez um esforço para a redução dos juros, o que foi muito positivo, mas isso só não bastou. É preciso aumentar consideravelmente os investimentos públicos, destravar o PAC, dar preferência às empresas genuinamente nacionais nos financiamentos e nas compras do governo. Dar fim, de uma vez por todas, às privatizações e ao superávit primário. Essas medidas, a meu ver, se fazem urgentes e necessárias se o governo quiser, de fato, retomar o crescimento e acabar com a miséria”, disse Bira.

O presidente da Central também comemorou a aferição da Central, que superou o número de 700.000 associados a sindicatos filiados à Central, número suficiente para superar o índice de 7% de trabalhadores sindicalizados, conforme a Lei 11.648/2008, de reconhecimento formal das Centrais Sindicais. Segundo Bira, esse passo foi fundamental, uma vez que “as Centrais têm um papel chave na conjuntura. As nossas manifestações em frente ao Banco Central, em Brasília e em São Paulo, contribuíram sobremaneira para a redução dos juros. Com as marchas a Brasília conquistamos a lei de valorização do salário mínimo”.

“2012 foi um ano de unidade. Junto com as demais Centrais reunimos 90 mil pessoas no Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo e fizemos um grande 1º de Maio. Lutamos intransigentemente para impedir que a crise dos países ricos entrasse no nosso país. Em 2013 a luta será ainda mais profunda. A luta central será defender os direitos dos trabalhadores contra a flexibilização da CLT e contra o ACE (Acordo Coletivo Especial). Defenderemos o crescimento econômico à altura do nosso Brasil, a ampliação do investimento público e a reativação do PAC, que está paralisado. Com a nossa Central auferida, vamos convidar milhares de dirigentes sindicais a participarem dessas lutas conosco”, concluiu o presidente da CGTB.

Fonte Hora do Povo

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